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CAHIERS: ONDE MEU PENSAMENTO SOBRE MODA GANHA FORMA

  • 1 de jan. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 5 dias


Ao longo da minha trajetória, escrevi de muitas maneiras: escrevi artigos científicos, publicados em periódicos acadêmicos, resultado de pesquisas desenvolvidas na universidade e de uma investigação que continua hoje no doutorado.


Escrevi durante anos para a indústria da moda, transformando pesquisa em coleções, processos criativos e desenvolvimento de produto. Escrevi artigos técnicos para a Audaces, aproximando conhecimento, tecnologia e prática profissional. E escrevi centenas de textos neste blog, compartilhando reflexões sobre história da moda, processo criativo, museus, livros, viagens de pesquisa e ensino.


À primeira vista, tudo isso pode parecer pertencer a universos diferentes. Mas nunca pertenceu. Eu sempre estive tentando responder à mesma pergunta: como se constrói conhecimento em moda?


Talvez seja justamente essa pergunta que tenha orientado toda a minha vida profissional. Primeiro na indústria, compreendendo como uma ideia se transforma em produto e depois na sala de aula, percebendo que muitos estudantes aprendiam técnicas, mas raramente aprendiam a pensar.


Mais tarde, na pesquisa acadêmica, descobrindo que compreender moda exige muito mais do que conhecer roupas, pois exige entender história, política, economia, cultura, comportamento, tecnologia e sociedade.


Foi essa inquietação que me levou aos museus, às bibliotecas, aos arquivos, às viagens de pesquisa, às exposições internacionais, aos livros que coleciono há mais de duas décadas e, atualmente, ao doutorado, onde continuo investigando as relações entre moda, sustentabilidade, direito e políticas públicas.


Com o tempo, percebi que todos esses caminhos convergiam para o mesmo lugar. Não me interessa apenas ensinar moda. Interessa-me ensinar como pensar a moda.


É por isso que nasce o Cahiers.


A palavra francesa cahier significa caderno. Não um caderno de respostas prontas e sim um caderno de investigação.

Um lugar onde perguntas são tão importantes quanto conclusões e os textos que você vai encontrar aqui não pretendem acompanhar o ritmo acelerado das tendências, nem comentar o lançamento da semana. Eles nascem de leituras, viagens, observações, conversas, visitas a museus, pesquisas acadêmicas e de muitos anos de experiência entre a indústria e a universidade.


São ensaios sobre aquilo que acredito formar um verdadeiro repertório e que muitas vezes minhas alunas e seguidoras questionam:


Como desenvolver um olhar?

Como estudar moda de maneira independente?

Como visitar um museu?

Como ler um desfile?

Como perceber qualidade em uma roupa?

Como construir critérios?

Como relacionar arte, arquitetura, literatura, filosofia e moda?

Como transformar informação em pensamento?


Nunca tivemos tanto acesso à informação. E, paradoxalmente, talvez nunca tenha sido tão difícil construir conhecimento.


Vivemos cercados por imagens, opiniões e referências, mas raramente encontramos tempo para elaborar, conectar e compreender.


O Cahiers nasce como um convite para fazer exatamente o contrário: observar com mais atenção, ler mais devagar, perguntar mais, relacionar ideias, construir repertório com profundidade.


Se, ao terminar um texto, você sair com mais perguntas do que respostas, ele terá cumprido seu papel. Porque o conhecimento não termina quando encontramos uma resposta. Ele começa quando aprendemos a fazer perguntas melhores.

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